
Rui Diniz nasceu a 19 de Março de 1979 no antigo (e já extinto) Hospital de Almada, que se situava no final da Rua Capitão Leitão. Filho de um técnico de máquinas - muitas vezes por mérito apelidado de Engenheiro sem no entanto possuir o devido certificado (outros tempos!) - e de uma versátil lojista profissional, a criança cedo revelou aptidões linguísticas. Do filho, os pais falavam com aquele orgulho “babado” que quase só se encontra nos progenitores directos; agoiravam-lhe um grande futuro, confirmavam-lhe a inteligência, jubilavam com o talento precoce.
E o miúdo apenas ia escrevendo umas histórias.
Até os professores, talvez mais fruto do amor à sua profissão, participavam no engrandecimento ao petiz – que foi por intervenção de uma inesquecível professora primária que o menino ingressou cedo na Cambridge School para desenvolver o inglês, para o qual «tinha muito jeito».
Esse longo curso em língua inglesa, iniciado paralelamente à terceira classe curricular em 1988, terminou em 1997, quando completou a trindade de certificados daquela instituição (no que concerne a não nativos no inglês): First Certificate in English, Certificate in Advanced English e Certificate of Proficiency in English.
Teria a criança tanto valor inato quanto lhe foram atribuindo?
Bom, tanto, tanto, não... mas fez-lhe muito bem acreditar que sim.
Depois, o seu irmão (14 anos mais velho e na altura oficial da Marinha) sugeriu que o infante devia aprender a tocar guitarra, por ser algo que «entretinha o pessoal». Aí, o jovem almadense, então com 16 anos, lá embarcou em mais uma viagem – «porque não afinal?» – e nela tomou contacto com a música, mas, essencialmente, com a arte. Foi nos anos de afirmação adolescente que as suas primeiras “produções” se materializaram. E novos desafios se foram levantando... e vencendo.
O potencial estava lá, do trovador e do poeta. Escreveu poesia e foi teimoso que baste para a colocar em dois livros próprios: "Corte d'El-Rei" (que inclui um CD MP3 com a leitura completa pelo extraordinário Luiz Gaspar) e "Bandeiras & Fogo"; e também num blog (http://cortedelrei.blogspot.com) que alimentou durante dois anos. Até começou a declamar (http://vozdacorte.pt.vu), veja-se, e a aprender a misturar e trabalhar som como um verdadeiro amador!
Em 2006, o livro "Corte d'El-Rei" (em conjunto com o CD que o acompanha) chegou ao Brasil pelas mãos de Alana Araújo e fez parte de um projecto pedagógico na Faculdade de Tecnologia e Ciências da Universidade Federal da Bahia intitulado "A Hora do Conto", que tinha (e ainda tem!) o objectivo de interessar crianças e jovens pela literatura através do conto partilhado oralmente.
No mesmo ano, participou com um poema na colectânea "Index Poesis" que juntou num só livro os elementos de um grupo que se reúne em torno da poesia em Almada, os Poetas Almadenses.
Conheceu gente grande (bem maior que os seus nomes), que o ajudou a descobrir-se. A Lucidez e a Verdade (que sempre foram suas reais Pedras Filosofais) tornaram-se na Quimera de Ouro de Rui Diniz.
Foi no auge de um periodo intenso a nível de questionamento pessoal que contou com o apoio de amigos, uns de longa data, outros que se tornaram rapidamente importantes. Especialmente, valorizou a companhia de com quem pôde debater a Ciência da Vida... e debatê-la com... (s)ciência.
Depois, muito mudou. A vida tem destas coisas, destas mudanças, destas mortes e renascimentos repentinos. Encostou a porta à música (mas nunca à arte) e abriu ele próprio, de vez, a porta que estava encaixada na parede da sua Grande Procura – que ao contrário da parede de Álvaro de Campos (Fernando Pessoa), a sua tinha lá mesmo uma porta! – e a sua mente partiu para outras paragens e inflamou-se com descobertas e equilibrou-se pela lucidez.
...
O homem que hoje sou não se arrepende do menino nem do rapaz, pois das cinzas de tantas máscaras (e bandeiras!) que queimei pelo caminho, reconheço-me mais inteiro.
Partiu deste momento de reconhecimento a criação de uma trilogia de ficção científica, despoletada por uma ideia (e desafio!) que um amigo me trouxe.
Escrever em um só livro tudo o que tenho para dizer, cedo se verificou inexequível. Por isto, decidi dividir em três tempos o compasso e dessa forma compor uma valsa literária em que exploro uma visão da História, da Psicologia e da Mitologia alternativas às oficialmente aceites.
Esta é, sem dúvida, uma série de obras de contestação, mas essencialmente ela visa colocar questões e trazer à luz matérias fundamentais, relativas aos alicerces da humanidade, que, considero, devem estar presentes no dia-a-dia da nossa existência dividida.
Durante o ano de 2008, a Papiro Editora decidiu apostar na primeira parte desta trilogia, “Olympus: A Profecia do Grande Espírito”, tendo pleno conhecimento de que se trata de um início.
Espero que seja, de facto, o começo de algo importante na literatura, mas essencialmente na mente colectiva de todos nós.
Já em 2009, colaborei com Hugo Almeida, Luiz Gaspar e outros criativos residentes no Second Life, na produção do filme "Pessoa", de homenagem à "Mensagem" de Fernando Pessoa, escrevendo os textos e o argumento.
Com Consideração,
RD
"Eles são meio-humanos; a outra metade de si mesmos é uma dentada dura dada no vazio. (...) Só eu e os como eu, da nossa posição de percepção zigurática no meio dos semi-vivos, escutamos os intervalos da passagem do tempo pela multidão; apenas porque vivemos cá dentro."
Rui Diniz: Olympus: A Profecia do Grande Espírito - excerto do Prólogo