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Submetido em 28/12/08 - 10:08 PM
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Chego a vós como um pesquisador. Nunca estive confortável com o mundo conforme me era mostrado e por isso nunca aceitei explicações levianas para aquilo que eu sabia estar errado – mesmo sem saber porquê ou como. Devo admitir – e estar agradecido! - que tenho tido uma vida sortuda. A vontade de saber é a vontade de aprender e um aprendiz nunca está satisfeito com uma informação superficial ou errónea. Eu sou uma pessoa assim e na minha vida tudo tem sempre de certa maneira “conspirado” para que eu escave cada vez mais fundo naquilo em que estudo através de observação e experiência, usando maioritariamente a análise racional como a minha ferramenta favorita. No entanto, nem tudo é razão; bem no fundo da nossa psique, atrás de camadas de artificialidade plastificada que elevamos ao estatuto divino, reside a essência natural do corpo e alma do ser vivo Terra. É essa essência geradora e nutriente (feminina) que proporciona à nossa consciência os eventos e experiências de confronto com a tal artificialidade, que a fará, ao seu próprio ritmo mas continuamente, realinhar-se com as funções naturais enquanto humanos. Fica a questão: O que é ser humano? Se, como muitos crêem, ser humano não é ser totalmente natural da Terra, então com que pedaço de nós nos devemos alinhar? E se, como a ciência oficial nos diz, ser humano é ser totalmente terrestre, então porque nos afastámos tanto da simbiose com o planeta e vivemos num mundo à parte, num mundo mental e ilusório de convenções e palavras, em que o parecer tem mais peso que o ser?
Não é minha intenção dar-vos sermões, nem tenho a presunção de que sei tudo (ou alguma coisa! ). Tenho, no entanto, a esperança de que, ao escrever este artigo, serei capaz de solidificar melhor as minhas ideias e, talvez, ajudar alguém a fazer o mesmo neste mesmo mundo em que vivemos.
O nosso mundo é temeroso. O mundo em si não o é, mas o nosso sim. O medo e a angústia residem em cada passo que damos e governam as nossas vidas. Estamos tão expostos ao Medo que chegamos a um ponto em que nos identificamos com ele, em que aquilo que detestamos se torna uma vivência “normal” e em que os nossos sonhos e impulsos naturais são vistos como românticos e infantis. Em boa verdade, nós somos infantis, mas não devido a estes sonhos e desejos desconfortáveis de tentar algo diferente. Somos crianças porque permitimos ser divididos continuamente em pequenas conchas de consciência, dentro das quais pensamos ser autónomos. Entregamos o poder da nossa própria psique (sim, falo mesmo do interior das nossas mentes!) a personagens (arquétipos) de emergência, para enfrentar a “guerra da vida”, um conflito que nunca mais cessa. Quando tentamos substituir essas personagens “gestoras de danos” (muito úteis em situações de verdadeira emergência) por outras diferentes ou mesmo por uma ligação directa com o nosso subconsciente, somos confrontados, externa e interiormente, com uma míriade de razões para não o fazer... por medo. Essas personagens acabam até por se defender das nossas próprias tentativas de regresso à tal paz primordial (pré-emergência) e por manipular-nos a considerarmos que elas são a totalidade de nós, apenas porque regem o trono da nossa psique (porque nós assim lhes pedimos, dadas as circunstâncias de sobrevivência) e porque têm voz nela. No entanto, a partir do momento em que nos consideramos pequenas ilhas sem qualquer ligação a algo ou alguém mais a não ser nós próprios, participamos na mais atroz opressão que será alguma vez imaginável.
De modo a podermos compreender como este sistema de opressão funciona e como é mantido, temos de entender que ganho as massas pensam retirar dele, através de compreendermos o que o criou. Como certa vez um sábio professor disse, se permitirmos que um ambiente insano exista à nossa volta, então não podemos lamentar-nos que as pessoas que subam ao poder nele sejam, naturalmente, insanos. Numa analogia que talvez torne a questão mais simples de entender, não é apropriado apontar o dedo apenas às incómodas moscas que se acumulam à volta de um excremento, quando nós próprios não o limpámos, permitimos que ele permanecesse entre nós e inclusivamente o aumentámos. As moscas apenas cumprem a sua natureza e, se nos incomodam, devemos manter-nos e ao nosso ambiente o mais limpo possível. Da mesma forma, a loucura que vemos a envolver-nos de todos os lados, com todos os seus apoiantes fanáticos, é também, e principalmente, o reflexo das nossas próprias falhas.
O poder, o verdadeiro poder, sempre esteve com as massas - isso podemos entender sem grande necessidade de análise social - mas temos agora de, nesta altura especial, debatermo-nos connosco próprios de uma certa forma que temos vindo a evitar há milhares de anos. Porque é que as massas, que têm há pelo menos 13000 anos vindo a ser uma multidão gigantesca de escravos do medo, mantêm, cuidam e aumentam a sujidade que tem sido tão tóxica para elas? Para compreendermos o motivo temos de voltar a nossa atenção para o nascimento de tudo isto – temos de compreender que simplesmente nos temos vindo a permitir espalhar e multiplicar o padrão desse miasma desde o seu nascimento até ao presente. Temos também de entender que chegámos a uma fase em que isso não será mais possível e que temos agora de enfrentar, dentro de nós, aquilo que temos escondido debaixo do tapete e finalmente limpar a nossa psique e os nossos corações, de forma a ligarmo-nos novamente à nossa natureza aqui na Terra. Não há trabalho mais difícil que o de limpar as nossas mentes! Também, apesar disso, não há trabalho que seja mais frutífero.
Quando alguém entra seriamente em contacto com informação de cariz espiritual e, consequentemente, energia dessa natureza, irá, mais tarde ou mais cedo, verificar que referências místicas - ou mesmo míticas - têm múltiplos graus de interpretação, um para cada tipo de receptor, ou seja, um para cada grau diferente de “despertar”, por assim dizer.
O primeiro grau é, evidentemente, sempre o literal, que nada mais é que uma construção do tipo “conto de fadas”, destinada a ser suficiente para a mente de uma criança. Este encaixa-se nas mentes que são mais inseguras e temerárias ou preguiçosas para se auto-descobrirem, ou pelo menos para encetar um caminho de análise própria. Estas mentes irão sempre procurar razões e explicações externas para os eventos que testemunham e irão ficar trancados num mundo infantil onde os adultos (divindades ou líderes - os últimos são geralmente figuras “saturnianas” ou paternas) decidem o seu destino e sorte. É portanto fácil aprisionar estas mentes, fazendo-as seguir uma disciplina de ritual e oração baseada em intimidação. Neles, o único propósito das “crianças” é conquistar o favor destes arquétipos adultos ou pelo menos garantir que eles não dirigem a sua ira contra elas. Estas mentes estão principalmente preocupadas com segurança e estabilidade (rotina) dado que esse é o tipo de mundo que mais se enquadra com elas, visto que providencia um escudo contra os seus medos. Elas irão portanto, através deste sistema, tornar-se servos voluntários e obedientes dos capatazes, os sacerdotes que afirmam - com uma confiança que os escravos nunca imaginam ser possível de existir em si próprios - dispor de uma ligação directa entre as “crianças” e a irrefutável e toda-poderosa vontade dos “adultos”.
Todos nós podemos, com facilidade, olhar para trás nas nossas vidas e encontrar exemplos fortes e explícitos desta relação na nossa infância; usualmente, as crianças deste sistema competem entre si em relação aos seus pais - que são mais ricos e portanto capazes de conceder-lhes os melhores brinquedos e roupas, que são mais fortes e poderão esmagar qualquer outra criança ou pai de criança que se coloque no seu caminho, etc. Fica assim fácil estabelecer a ligação entre esses exemplos e as religiões e instituições favorecidas pelas mentes que nunca realmente deixaram esse estado, apenas o tornaram mais subtil atrás das máscaras. Assim, quando integradas neste sistema de mente infantil, não irão hesitar em desperdiçar-se no mesmo jogo em relação às suas figuras “adultas” - os Deuses, os Reis, os Políticos, os Campeões, etc.
Aliás, devo fazer notar um aspecto importante: a infância “faz” o adulto. Tudo o que for experimentado e incorporado na infância irá ser transposto para o comportamento maduro. Note-se que somente os humanos passam por uma fase de adolescência, que é, principal e basicamente, uma fase conflito. Isto deve-se ao facto de que a infância humana é totalmente artificial e ilusória; ela é influenciada por um ambiente recheado de medos (mas que ao mesmo tempo revela à criança que tem poder sobre os seus pais, já eles próprios vítimas de pressão social e psicológica extrema, e encoraja-a a usá-lo), cria hábitos de insegurança através de uma super-protecção imposta e, consequentemente, gera a convicção de que o mundo é nefasto, ou seja, que o mundo tenta continuamente agredir o indivíduo. Esta convicção é obviamente verdadeira: o mundo artificial, imposto sobre o natural, é tóxico. E é o medo dessa toxicidade que gera na psique um personagem adequado à função de sobreviver nele (seja ela uma de implacabilidade, num extremo, ou de vitimização, no extremo oposto – o espectro é vasto e as combinações infinitas). No entanto, esse mundo é gerado pelos próprios traumas e medos rígidos especificamente humanos, e não sustentado por uma relação com a natureza do próprio planeta Terra. Onde tiveram origem esses traumas e medos, é uma questão para aprofundar noutra ocasião, se bem que, mais à frente neste mesmo artigo, apresentarei algumas hipóteses que visam providenciar uma explicação para essa génese traumática.
Acontece portanto que, quando a criança super-protegida e intimidada mas ao mesmo tempo detentora de uma convicção de liberdade e poder falsos (no modelo que lhes é incutido), chega à puberdade (que é a verdadeira maturidade, é essa a passagem natural para adulto, sem quaisquer fases intermédias), depara-se com um mundo desenquadrado com a sua experiência infantil. Uma cria de urso, por exemplo, brinca às caçadas para que, quando chegue a adulto, saiba caçar a sério. Nele não há adolescência (no sentido psicológico do termo, naturalmente) porque não há conflito; nada na sua infância foi falso – tudo o que aprendeu e praticou enquanto cria tem representação no mundo maduro da sua espécie. Isto não acontece com o ser humano, exactamente porque a nossa espécie vive completamente desenquadrada da sua natureza (de onde quer que ela venha) e a adolescência é prova viva desse desalinhamento insano.
Devo enfatizar que as figuras “adultas” referidas anteriormente, nascem na mente, na consciência humana, e são só depois projectadas e representadas no mundo físico da experiência e das relações humanas. Desse modo, a mente (personagem) Mártir, por exemplo, irá “experienciar” dor em cada evento, enquanto que a mente (personagem) Deus será testemunha de um mundo de superioridade e manipulação. Ambos os mundos são meramente projecções de consciência e existem obviamente apenas dentro do ponto de vista da “personagem” - quer seja uma mente individual ou um grupo de mentes com “tons” similares. Quanto mais mentes adquirirem esse determinado “tom”, mais energia lhe é enviada e mais poderosa se torna a figura ou experiência. Este é um ponto importante; a experiência externa é a combinação do que o grupo filtra como sendo comum aos seus membros a partir dos seus “tons” individuais. Quanto maior ou mais forte for a maioria, mais poderoso é o seu “tom” comum - daí o perigo da democracia, a ditadura da multidão.
Podem agora perguntar com razão «Bom, mas não irá a personagem enfrentar as questões contrastantes e não resolvidas que a construíram?» - concordo plenamente com a colocação desta questão e dou-vos razão – afinal, o nosso componente feminino, escondido e esquecido no poço da nossa psique, tem as suas próprias ferramentas para se manifestar e, também, tentar reconquistar o lugar que lhe pertence. Irei dissertar acerca disso mais à frente nesta peça.
Chegamos assim à conclusão lógica de que para tudo o que existe na mente, há uma representação fora dela, no reino da experiência física e social. Aqui residem os outros graus de interpretação de informação mística e mítica. Isso também é verdade, por tudo o que referi anteriormente, no que diz respeito a Deus ou Divinidade; o Deus exterior - benevolente ou tirano - é apenas a representação do Deus interior a que um certo “tom” de mente está ligado.
Começarei pelo secundário, isto é, dissertando primeiro acerca das origens do Deus exterior (singular ou plural). Naturalmente, quando se compreende que tudo o que existe “lá fora” é uma representação do que existe “cá dentro”, chegamos à conclusão que, para nós colectivamente “experienciarmos” o Deus exterior, temos de o criar interiormente, mas porque faríamos nós algo tão estúpido? E como? Teremos sido nós que o começámos?
A causa mais lógica é a de um trauma profundo e sistemático. Só um traumatismo poderoso poderia alguma vez cortar-nos da nossa natureza e inserir em nós energias mentais e espirituais que seriam externamente “experienciadas” através de tanta dor, sofrimento, toxicidade e decadência ao longo de milénios. Portanto, que trauma ou traumas causaram isto? Há muitas teorias das quais tentarei extrair as que, para mim, são mais interessantes com vista a este estudo – sem que, necessáriamente, elas espelhem inteiramente a minha opinião.
Michael Tsarion, no seu livro “Atlantis - Alien Visitation and Genetic Manipulation” (“Atlantis - Visitação Extra-Terrestre e Manipulação Genética”), compila muita informação poderosa relacionada com a fonte e essência desses traumas. Lá, entramos em contacto com a ideia de manipulação genética por uma consciência intrusa, um predador frio e cruel, alienígena à Terra, que oprimia os seres do planeta primevo e visava escravizá-los para compensar as suas carências espirituais. Estes invasores tinham grandes ferramentas tecnológicas à sua disposição e um avançado intelecto lógico, mas careciam de moralidade no seu uso - eram representações carnais do ódio e impulsos egóicos. Não é portanto surpresa que o facto de se terem proclamado Deuses mágicos (sendo que esta sensação de “magia” advinha do uso da sua tecnologia, que fazia “milagres” na presença dos terráqueos apavorados) deu origem à ideia de seres possuidores de capacidade e inteligência superior, bem como de estranhos e bizarros caprichos. O seu comportamento e enquadramento mental acabou por dar-lhes o nome de Mestres Serpente - e isto é apenas uma elação minha - mas é conhecido que o seu símbolo era de facto a Serpente. Note-se que a serpente é também o símbolo do patriarcado, da hierarquia masculina, representando a figura fálica predadora no topo da cadeia alimentar.
Estas adulterações genéticas - meras tentativas de criação de escravos perfeitos para servirem os intrusos eternamente através de força controladora mínima - resultaram em alterações abomináveis na psique humana. Este terá sido apenas um dos traumas, no entanto. Guerras cataclísmicas e uma cadeia de eventos que quase destruiu a Terra, contribuíram ainda mais para uma mente humana que já vivia em pânico e isolada.
O autor expõe que estas primeiras experiências para alterar geneticamente os nativos humanos deste planeta resultou, no entanto, num grande fracasso. Elas consistiam em cruzar o dócil humano terrestre com o DNA do intruso, mas os híbridos produzidos não corresponderam às expectativas. Os mestiços possuíam o potencial intelectual dos seus mestres mas também as tendências criativas e morais dos humanos da Terra. Por isso, não demorou muito até compreenderem que o que era esperado deles pelos seus “pais” (ou “criadores”) era a escravatura e, claro, revoltaram-se. Isto representou um duro golpe para os orgulhosos Reis-Deuses que faziam da Atlântida a capital da sua civilização tirana na Terra. Ocorreu assim o primeiro êxodo e os seres híbridos conseguiram construir um tipo diferente de civilização num continente distante, a Lemuria. Aí, desenvolveram uma cultura baseada em inteligência e moralidade - as duas principais qualidades potenciais dos seus genes - mas estavam cientes que tinham de se manter preparados em relação a um eventual conflito com os seus vingativos criadores. Por isso, não descuraram a componente militar. Curiosamente, tanto os Atlantes como os Lemurianos eram conhecidos como Serpentes; os primeiros, Mestres Serpente, os últimos, Filhos da Serpente.
Terá sido então que os Senhores da Atlântida recorreram aos vulneráveis humanos da Terra uma segunda vez. Determinados a corrigir os erros cometidos na tentativa anterior, conduziram agora experiências que resultariam num corpulento e ágil humanóide, no entanto privado do potencial intelectual dos seus mestres de forma a que nunca evoluíssem além de um estado infantil, a nível mental e de compreensão. Isto representava finalmente o que os invasores desejavam; tinham agora sob o seu controlo uma raça-escrava perfeita que suportava o seu sistema e viviam submergidos em luxo e luxúria, mas tal não estava destinado a permanecer assim.
Os Lemurianos, também vivendo confortavelmente na sua civilização fértil, terão começado a sentir pena do destino dos seus meio-irmãos, presos para sempre pelas correntes da escravatura da Atlântida. Decidiram que deveriam ajudá-los e enviaram missionários às várias colónias Atlantes com o objectivo de mostrar aos escravos que a sua existência era miserável e que deviam revoltar-se contra os tiranos e fugir para Lemuria.
Em qualquer dos casos, a sua missão não revelou quaisquer resultados imediatos. Os Adões (o macho escravo) não prestaram qualquer atenção ao aconselhamento e ensinamento daqueles outros Deuses. No entanto, as fêmeas, as Evas, ouviram-nos, quer tenha sido por uma maior abertura mental ou por mera atracção para com os carismáticos visitantes. As fêmeas ouviram e compreenderam, começando depois a mostrar gradualmente aos machos o quão verdadeiro era o que lhes era dito... e uma segunda revolta e êxodo ocorreu. Ajudada pelos Lemurianos, a raça-escrava Adâmica fugiu do reino Atlante para o tal continente longínquo onde a capital dos seus salvadores existia. Talvez advenha daqui a sensação sempre presente de que um dia seremos salvos e levados para um local longínquo onde estaremos finalmente em paz...
Isto foi demais para os Mestres Serpente. Eles lançaram a sua ira sobre Lemuria, a quem viam como traidores. Talvez seja pertinente considerar que os Atlantes estivessem tão convencidos da sua superioridade genética sobre os nativos humanos da Terra, que esperassem que os Lemurianos se alinhassem com os seus genes “divinos”, mais tarde ou mais cedo, e assim unir-se à Atlântida? Quer tenham pensado assim ou não, a guerra rebentou após o segundo êxodo e uma catástrofe caiu sobre a Terra. Podemos apenas começar a imaginar como terá sido esta experiência traumática para os escravos estupidificados.
Os sobreviventes ficaram assim com esses eventos marcados na memória do seu DNA. Os resultados disto, em conjunção com as alterações genéticas, são as sociedades mais ou menos bélicas e tóxicas, mais ou menos culturais e espirituais que surgiram em todo o mundo desde essa altura. Os descendentes dos Atlantes e Lemurianos tornaram-se os líderes de ambos os lados da moeda civilizacional e os dos Adâmicos constituíram as massas de uma escravatura, mais ou menos evidente, que as sustentavam.
Pessoalmente, é importante fazer notar neste ponto, que não é forçoso que a força invasora referida seja extra-terrestre. Sem dúvida que ela rompe com os padrões naturais do planeta, mas não teve de originar, obrigatoriamente, fora dele. Pegando nos trabalhos do filósofo Terence McKenna, podemos obter uma outra hipótese para a génese do “trauma primordial”.
McKenna apresenta-nos um mundo pré-Histórico (isto é, um mundo onde a História não era guardada por não haver necessidade de registo de individualidades - factor que advém do “nascimento” e fortalecimento do ego no ser humano desligado do seu subconsciente gerador e natural) onde a vida tribal natural era baseada num sentimento de comunhão providenciado, na opinião do filósofo, por um cogumelo alucinogénio específico que existia em abundância no meio ambiente. A dada altura, devido a alterações climáticas, ocorre uma escassez do tal “pão dos Deuses” e surge o ego, fruto da ausência da substância que dissolvia os indivíduos na tribo sem conflito.
Pessoalmente, contesto a ideia de que o ser humano seja naturalmente dependente de uma substância de cariz mental e espiritual (como é o caso aqui, dado que não se trata de uma necessidade de sustento físico), mas entendo que Terence McKenna trouxe à luz uma série de aspectos importantes de considerar. Os alucinogénios promovem um contacto directo com o subconsciente individual e colectivo, o que permite um desenvolvimento intelectual e, com isso, o surgimento de uma curiosidade cada vez mais ávida. Por isso, pessoalmente coloco a hipótese de que um grupo de humanos se tenha apoderado da ferramenta de desenvolvimento que o alucinogénio representa e a tenha utilizado para evoluir mais rapidamente a nível cerebral. Se por qualquer motivo a substância se adulterou (como o apontado por Terence McKenna, segundo o qual o cogumelo passou a ter de ser armazenado em mel, o que o altera significativamente), deixou de providenciar os efeitos de dissolução de individualidade. Visto desta perspectiva, os Deuses poderão ter sido aqueles que, dispondo de uma ferramenta de desenvolvimento intelectual, enredaram-se nos caprichos do ego e superego e tornaram-se, portanto, Deuses conforme os conhecemos nos exageros das representações mitológicas.
Os dois tipos de civilização em si (Atlantes e Lemurianas), com os seus sistemas sociais, representam o Deus exterior da humanidade - e temos visto que a humanidade está num estado de enorme confusão interior, genética e culturalmente. Assim, nós residimos nelas permitindo a existência destes sistemas, baseados em proibição e limitação cruas ou técnicas de motivação subtis que conduzem na mesma direcção. O que temos agora de entender é que este Deus externo (ou ambiente físico, por assim dizer) não é somente existente como uma entidade externa, mas também é um reflexo do que tomamos como verdade nas nossas consciências, ou, simbolicamente, o Deus interno.
Quando compreendemos o capítulo anterior, verificamos que o ciclo que o sistema Divino tenta manter para sobreviver segue, se nada mais tivesse influência, de “fora” para “dentro” e depois a partir de “dentro” para reforçar o “fora”. Felizmente, outros aspectos influenciam esta estrutura e há mais esperança a cada dia que passa para a nossa libertação de Deus, o interno e o externo, e para nos ligarmos de novo directamente à nossa ancestralidade - a criatividade do ser vivo Terra.
Com a informação acerca dos factores externos e históricos nas mãos, podemos agora interpretar melhor uma parte da história do livro de Génesis da Bíblia, por exemplo.
Colocando de parte o conto de fadas literal, podemos ver que num determinado nível é contada parte da história do Deus externo: Adão e Eva vivendo nus (ou privados de “armadura” defensiva) no jardim paradisíaco do seu Deus criador (que os criou geneticamente), até que uma Serpente surgiu e convenceu Eva a levar Adão a comer o fruto da Árvore da Vida (Vida aqui num sentido de propriedade espiritual, ou seja: aquele que pode decidir por si mesmo está vivo, aquele que não pode está nu, indefeso e morto, inerte). Adão realmente comeu o fruto, libertando a ira de Deus que os expulsou do Éden (o paraíso da escravatura ignorante por um lado, o da luxúria divina por outro).
Agora, naturalmente que Deus diria que os baniu em vez de admitir que os seus servos fugiram. Todos nós já estivemos em situações em que um conflito ocorre entre duas pessoas. Assim, imaginem um empregado a dizer ao seu patrão tirano que vai demitir-se e procurar novo emprego noutro local. O orgulhoso (e inseguro) patrão irá então responder algo como «tu não te demites, eu é que te despeço! Não preciso de ti de qualquer forma, mas tu precisas de mim e deste emprego!»... esta analogia parece-me óbvia o suficiente: a personagem controladora, dominadora e, ao mesmo tempo, básica e infantil, dada a caprichos e “birras” (signo de Carneiro e carta do Tarot “IV - O Imperador”, que é a imagem da manifestação do Deus criador artificial da época a que esta história bíblica se refere) na psique não admitirá cometer erros nem tão pouco assumirá as suas dependências do colectivo – ela, afinal, foi “eleita” na psique colectiva para liderar as crianças naquele tempo de emergência (infindável até aos dias de hoje).
A um outro nível, está a ser relatado o nascimento espiritual do Deus interior: Adão e Eva vivendo sem pecado (ou sem artificialidade, sem a “semente do mal” nas suas mentes) e em harmonia com o seu Pai espiritual (a sua natureza enquanto humanos terrestres). Então veio a Serpente corruptora (os Mestres Serpente), que os tirou desta harmonia ao convencê-los a comer da Árvore da Vida (aqui Vida sendo o Ego, ou melhor, o tipo de consciência e autoridade interior individual, desligada do resto). Tanto Adão como Eva cederam às intenções maliciosas da Serpente e foram separados do seu Pai, como disse antes, a sua Natureza (um substituto masculino para a Terra feminina). Logo, isto significa espiritualmente que, ao comer da Árvore proibida (proibida no sentido de ser nefasta), eles inseriram um Deus artificial dentro deles, deixaram a Serpente entrar, tornaram-se parcialmente como a Serpente. Daqui podemos provavelmente ser elucidados em relação ao que a Cruz simboliza bem como a trindade Pai / Filho / Espírito Santo que ela representa em alguns níveis:
![]() Fig.1: Cruz Literal |
![]() Fig.2: Deus Externo |
![]() Fig.3: Deus Interno |
Assim, no nível externo, o Pai é o Deus, o Rei, o Estado, a limitação Saturniana; o Filho é o Pastor, o intermediário que faz com que os carneiros sustentem o Pai (é por isto que todos os Cristãos se esforçam por seguir o exemplo de Jesus e por serem missionários, para converter outros); e o Espírito Santo é a Palavra (ou Ideia do Pai, o método).
Ao nível interno, vemos que é outra a história a ser contada. No topo está a Natureza, o Universo, a Alma com a ligação directa ao ser, que é cortada (a linha horizontal que corta a vertical) pelo Espírito Artificial e é forçado a desenvolver uma alma artificial para sobreviver, um Deus interno, o Ego.
Existe também outra perspectiva; os cultos nativos da Terra eram matriarcas. Repare-se que um dos mais antigos símbolos femininos (e consequentemente de maternidade) é o círculo – daí que alguns dos mais antigos monumentos são baseados nessa figura. A maçã era vista como um símbolo para o óvulo feminino, a semente ou energia feminina. Então, outra interpretação para o símbolo da Serpente é o esperma humano e consequentemente, a patriarquia – isto é, o poder do macho. Então, olhemos de novo para a mesma parte da história do livro do Génesis desta nova perspectiva:
Adão e Eva viviam felizes no paraíso perto da Árvore da Vida, a Árvore das Maçãs, a Árvore do Poder Feminino, a Matriarquia. Então, surgiu a Serpente (a Patriarquia) que convenceu Eva a entregar a Maçã (o seu óvulo sagrado, o seu poder) da Árvore Sagrada da Femininidade a Adão. Aí, Adão trincou a Maçã (profanou-a) mas não conseguiu engolir o pedaço que tirou e ele ficou preso na sua garganta. Agora, o que acontece quando uma pessoa fica com algo bloqueado na sua garganta? O oxigénio na corrente sanguínea para a cabeça (cérebro ou mente) decresce substancialmente e a pessoa fica inconsciente (sem cérebro ou mente, sem controlo sobre a sua própria mente). Assim, após profanar a Árvore da Vida, a Árvore das Maçãs (a Energia Feminina) ou Matriarquia, e ao ceder à Serpente, a Patriarquia, Adão (o macho) deixou de ser o companheiro amoroso da Eva (a fêmea) e tornou-se no servo inconsciente de um poder patriárquico invasor, bem como num perseguidor da mulher, dado que ela representa a velha estrutura. Esta última coloca as outras interpretações numa perspectiva mais clara.
Em “The Stars are Falling” (“As Estrelas estão a Cair”) e nos seus artigos na internet, Matthew Delooze faz um excelente trabalho ao decifrar os símbolos que são colocados à nossa volta e que se dirigem directamente ao nosso subconsciente, ao mesmo tempo que enviam mensagens aos nossos Deuses internos, os nossos Egos e SuperEgos (Trono), de modo a que o sistema artificial seja mantido e fortalecido pelas nossas mentes. Nós reconhecemos, até por vezes num patamar consciente, estes símbolos, como figuras e histórias para as quais nos sentimos atraídos ou as quais tememos, sem saber exactamente porquê. Isto deve-se ao facto de estes símbolos e histórias estarem gravadas nas nossas memórias genética e espiritual, nas lembranças passadas da nossa consciência. Assim, enquanto esta corrente energética de “fora para dentro” ocorre, as mentes das massas criam a necessária energia de “dentro para fora” que mantém o sistema de Deus em manifestação.
Conclui-se assim que se a artificialidade tivesse ganho a guerra há milhares de anos, não estaríamos ainda hoje divididos – o mesmo é também verdade para uma eventual vitória da Natureza. Assim, nós verificamos exemplos de tentativas para subjugar esta divisão que habita em nós e que, mais vezes do que deveria, se manifesta como uma confusão de vozes externas dentro de nós. Estas tentativas para criar sistemas de “purificação”, como são muitas vezes chamados, têm sido uma resposta à evidente divisão existente dentro da psique humana. Alguns deles tentam trazer de volta a ligação à alma verdadeira, isto é, Natureza ou Universo da humanidade (como é o caso do Yoga original – não confundir com muitas estirpes de Yoga modernas que indicam pretender alcançar Deus), outros visam exactamente o oposto, purgar completamente as tendências arcaicas e provocar o alinhamento com a existência Egóica, o Deus, o legado da Serpente (como é exemplo o Satanismo). De qualquer forma, eles são todos etiquetados como caminhos que levam à “libertação do sofrimento” - o que é de facto correcto para ambos os casos: um irá limpar o humano da sujidade artificial e assim das suas tendências não naturais; o outro irá ajudar o Ego a ver-se livre da moralidade arcaica, de modo a parar o sofrimento enquanto se comporta como uma “Serpente”. Quanto mais forte o Ego, no entanto, mais previsível (menos ditado por criatividade pura) é o comportamento da personagem à sua frente (a máscara do ser, a pessoa).
Agora que volto a abordar as personagens que todos “canalizamos”, irei finalmente, como prometido anteriormente, focar a relação entre as questões psicológicas não resolvidas inerentes a estas máscaras e os desafios que o Ego individual enfrenta no reino da experiência.
Qualquer energia cria uma contra-energia até que um equilíbrio se atinja. Cada vez que empregamos energia para reforçar o sistema, por exemplo, recebemos de volta uma força igual que nos desafia nesse aspecto. No caso da psique humana, isto deve-se em grande parte (senão na totalidade) à influência do feminino gerador natural (que doravante chamarei de “cálice”, por ser essa a designação religiosa ocidental). Assim, para apresentar uma analogia simplista, tomemos um certo indivíduo que adora bolos. Ele irá empregar tanta energia para aceder a mais bolos para consumir, que irá também criar situações opostas, como por exemplo, passar numa pastelaria e ver os bolos através da montra sem ter meios para os adquirir (por não ser um desejo de acordo com a ordem natural do ser a que aquela mente pertence, a Terra). Desta forma, os desejos da consciência são também as suas maiores limitações. Isto é verificável em qualquer parte, com qualquer sujeito. Devo ainda assim vincar que a psique de um indivíduo é um sistema demasiado complexo, de energias a serem geradas e recebidas, para ser completamente compreendido apenas por observação. Tal é bastante mais fácil no que concerne a grupos – isto porque num grupo, os indivíduos formam um corpo em que partilham certas energias comuns. Dado que num grupo existem factores que permitem apenas energias mais simples e directas (pelo menos em comparação com os indivíduos), as contra-energias serão naturalmente mais observáveis. Apesar disso, podemos certamente entender algo acerca do “tom” mental de uma determinada pessoa, observando as limitações individuais que enfrenta de forma contínua ou cíclica. Podemos assim também compreender com maior clareza qual é a melhor forma de ajudar ou combater essa estrutura observada. Esta é uma das formas com que os pastores têm lidado e manipulado os seus rebanhos. Despidos deste conhecimento, as ovelhas são vulneráveis e indefesas e entregam voluntariamente o seu poder aos capatazes do sistema.
Então, porque é que são as contra-energias sentidas mais intensamente por uns e menos por outros? Não existe nenhuma resposta directa, dada a complexidade das energias em movimentação dentro da nossa psique, mas tem seguramente uma relação com a dualidade Amor / Medo.
Peguemos de novo no exemplo do comilão de bolos, de acordo com este novo ângulo. Quando tanto a energia desejada como a contra-energia se manifestam, os resultados da experiência (prazer retirado e/ou sofrimento sentido) são decididos pela forma como a consciência se encontra alinhada nesta dualidade. Assim, se a pessoa “pede” por bolos para consumir, irá “experienciá-lo” com tanto prazer quanto o maior o seu alinhamento com o Amor. Da mesma forma, a experiência da contra-energia desse “pedido” (a força oposta) é influenciada pelo mesmo alinhamento – uma alta “pontuação” de Amor irá assegurar que a limitação ao consumo de bolos é suportada sem grandes dificuldades, uma alta “pontuação” de Medo irá certamente fazer com que a consciência seja afectada negativamente à mínima oposição.
Portanto, o Amor é a “Armadura”, o “Escudo”, enquanto o Medo é a “Espada”, a “Lança” ou o “Ceptro” (não lemos já isto antes, algures??); um protege da mácula, o outro causa-a.
Isto aparenta ser uma boa notícia para todos nós e também um trabalho saudável – então porque não começamos todos simplesmente a encher-nos de Amor e a deixarmos o Medo morrer à fome? Há uma miríade de motivos para que isso não esteja a acontecer com todos nós, mas permitam-me que foque um deles mais de perto: o sentido de valor.
Onde há um Ego (filho de um Deus individual e interno), há a necessidade de valorização porque há competição. Se não fosse necessário competir, não haveria também necessidade de ser aceite e admirado.
Assim, tanto a personagem de Deus como a do Mártir precisam de se sentir valorosos (e é por isso que se mantêm, tendo encontrado formas diferentes de sentir esse seu valor); o primeiro através de veneração e obediência, o outro através do sofrimento de que é alvo em nome dos seus iguais. Isto faz da relação Mestre / Escravo um bom exemplo do que estou a tentar explicar, exactamente por serem extremos:
O Mestre precisa do Escravo pela reverência e obediência que ele lhe dá, mas também o odeia porque ele vê isso como actos inferiores. Assim, ver um inferior prostrado a seus pés traz à mente insegura do Mestre um sentimento imediato de superioridade, por comparação. O seu maior medo é perder o escravo e consequentemente o seu estatuto interno (e externo).
O Escravo precisa do Mestre pela segurança e rotina que ele lhe dá, também o odeia e inveja porque ele deseja estar na posição dele. Mesmo assim, obedecer a ordens é muito mais fácil que decidir o que fazer e portanto a mente insegura do Escravo irá fazer dele um servo o mais diligente possível de modo a obter a aprovação do Mestre.
Os seus sentidos de valor advêm um do outro, dado que existe um elo directo entre os dois, uma ligação que geralmente nenhum dos dois deseja romper: uma dependência.
Com este exemplo, verificamos como os nossos Deuses interiores se ajustam para nos transmitir a tão necessária ilusão de sermos “bons”, para dar à nossa existência uma pequena compensação por aquilo que sentimos faltar no interior e exterior das nossas consciências.
Portanto, o que é exactamente ser “bom”? Existe algum “bem” absoluto ou apenas a medida relativa que depende do ponto de vista? É difícil dizer, na verdade – temos tantas visões diferentes de bem e mal, que derivam das nossas variadas experiências. Podemos no entanto determinar que um comportamento natural (isto é, de acordo com a natureza de um ser) é bom e que um artificial é mau. Podemos fazer isto, sim, mas não podemos nunca esquecer que este não é um assunto que se catalogue apenas a preto e branco, que não existe uma linha exacta ou fronteira entre um e o outro e que, também, no nosso estado de confusão, é muito difícil distinguir o que é natural para nós.
A pessoa que se recuse a olhar para o lado negro da consciência e tente sentir-se feliz e amável em qualquer circunstância, está a condenar os outros humanos pelo seu conforto cego (e a si próprio através de estagnação espiritual). Do mesmo modo, aquele que se devota inteiramente ao serviço aos outros e cujo o único prazer que retira da vida é aquele que vê nos outros, está a criar uma dependência nos outros humanos ao evitar que eles se confrontem com desafios necessários (para não falar que ele próprio irá também ficar aprisionado num ciclo de estagnação). Também a pessoa que tem sucesso e é lúcida, que tenta forçar os outros a seguir o mesmo caminho que para ele funcionou na sua experiência, está condenado a conhecer o fracasso, dado que o seu Deus interno é um tirano com uma máscara “boa”.
Estas três descrições muito básicas são suficientes para que cheguemos à conclusão de que muito do que nós pensamos fazer de “bom” são de facto actos dos nossos versáteis Deuses internos que, procurando a sobrevivência e a aceitação, não têm qualquer problema em adaptar-se a um tipo diferente de valor do que aquele que eles tentariam procurar de uma forma mais grosseira. Pelo lado positivo, isto mostra que há uma tomada de consciência das nossas falhas internas (e dos seus resultados no mundo exterior) e que há esforços em movimento para as corrigir. Assim, devemos ter sempre em mente que as subtilezas dos nossos Egos têm a capacidade de trazer-nos mais perto do seu próprio fim, mas que também pode trazer formas mais elegantes de vampirismo, dependência e decadência. Não sejam enganados por isto, mas não se tornem também obcecados por isto. Façam o que pensam ser o correcto, para além da confusão das vozes dentro de vós e tentem discernir o que é o comportamento mais natural, baseado em conhecimento, experiência e intuição. Sejam honestos convosco; sejam os vossos principais críticos. Analisem e compreendam os vossos impulsos internos, os vossos comportamentos e experiências. Sejam a Natureza. Aprendam a Amar sinceramente e deixem o Medo morrer à fome. Permitam que o trauma se limpe.
Como disse David Icke há anos, a maré está a mudar. Isto deve-se às contra-energias que agora regressam (geradas pelo nosso cálice natural), após completarem o seu ciclo em boomerang na nossa percepção de tempo. A interpretação astrológica (como qualquer outra ferramenta de “adivinhação”) do nosso presente e futuro próximo é meramente uma representação disto. Teremos agora de, finalmente, todos juntos, enfrentar os nossos “pecados” neste cósmico “Dia do Julgamento”. Os nossos Deuses internos serão confrontados com, e colocados perante, as consequências do tipo de energia que têm vindo a empregar. Portanto, é melhor estar preparado. Lembrem-se que as vozes que ecoam dentro de nós não são todas nossas (nem naturais) e que manifestações muito bizarras começarão a ocorrer (ou estão já a ocorrer) nas nossas vidas. Este Inverno em que os nossos Egos ficarão expostos ao frio e à fome, representa uma oportunidade ideal para que todos nós nos livremos de roupas velhas e infectas, de modo a que na Primavera possamos ter outras novas. Quando esta chegar, no entanto, temos de estar cientes daquilo que escolhemos vestir – e que será ditado pelo que permitimos que morresse durante o Inverno, isto é, quantos aspectos artificiais das nossas psiques deixámos a apodrecer ao frio no exterior das nossas casas (as nossas mentes).
Não temos de acreditar em tudo o que dizem os Professores. O que um Professor consegue é, através de sacrifício egóico e físico, fazer chegar algo a nós – e é de facto preferível que não concordemos com tudo imediatamente. Devemos ouvir e meditar acerca da informação, tentando utilizar o máximo possível da nossa mente no processo, encolhendo o Ego e o Deus que ocupam demasiado espaço. Acreditar (ou agir) sem passar por este processo é tão perigoso como se tem visto nas evidências da História; aqueles que exigem crença são esclavagistas, não libertadores.
Eu, pessoalmente, não acredito (ou sequer compreendo) tudo o que os preciosos Professores como Michael Tsarion, Terence McKenna, Jordan Maxwell, David Icke, Matthew Delooze, Alex Jones e o incontornável Alan Watt concluem nesta fase. Por exemplo, não compreendo a ideia de um portal aberto com Macróbios que Michael Tsarion apresenta (ver livro “Atlantis – Alien Visitation and Genetic Manipulation”), mas não descuro a informação sem mais evidências. Também não considero que os metamórficos reptilianos de que tanto David Icke como Matthew Delooze nos falam, sejam uma referência ou manifestação física, mas sim símbolos de metamorfose dentro da psique (como por exemplo um actor que consegue representar e incarnar dois papéis completamente diferentes no mesmo filme).
Estas dúvidas são saudáveis, pois elas trazem-nos para mais próximo da Verdade. Não pensaria jamais em condenar os Professores por aquilo que eu não compreendo ou acredito (ou mesmo que refuto), na mesma medida em que não me condeno. Eu não sou dono da Verdade, talvez nenhuma pessoa seja, talvez seja mesmo essa a Lição real a retirar disto tudo: encontrarmos uma saída colectiva, uma na qual tenhamos todos uma peça que se encaixa no meio da confusão. Portanto, não ataquem os mensageiros, debatam e tentem refutar a mensagem, de modo a verificar o quão forte ela é, o quanto se aguenta por si.
Nós, humanos, nascemos para este mundo como zombies, perdidos e vulneráveis, sem saber o que fazer no nosso ambiente, sentindo-nos tão vazios que precisamos de levar identificações psicológicas a um extremo doentio e verdadeiramente copiamos e tentamos ser aquele outro “alguém” que se encaixa no exterior, sem nunca procurarmos dentro de nós um verdadeiro Ser – isto deve-se a termos sido cortados da natureza há tantas gerações e do Verdadeiro Amor, não o Amor Divino baseado em competição. Assim, usemos isso em nosso favor. Transformemos esta ferida que nos enfraquece num poço de força, através da alquimia da vontade. Mostremos às nossas crianças que elas têm uma alma e que não precisam de competir neste sistema, que são capazes de encontrar um caminho alternativo. Mostrem-lhes o Amor, ajudem-nos a entender o Medo. A maré da consciência está a mudar e após ter levado consigo os destroços de nós que deixarmos serem levados, ela trará o mar tranquilo do Amor da Terra. O nosso Amor.
rd@ruidiniz.net
"Não há debates, não há discórdia. Não há Deuses senão o Grande Espírito e não há lei senão a Dele. Todos trabalham nas funções que são escolhidas para eles de acordo com uma leitura genética. Todos cumprem com felicidade, porque a felicidade que vivem é sustentada pelo seu cumprimento."
Rui Diniz: Olympus: A Profecia do Grande Espírito - excerto da Parte I