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Submetido em 01/10/08 - 02:32 PM
Todos os assuntos sociais, bons ou maus, são no fim dependentes do cérebro réptil do homem. O assim chamado Complexo-R é a região mais velha e mais primitiva de nossa massa cinzenta. É o centro de agressão/sobrevivência de nossa existência. As emoções básicas que nos governam como amor, ódio, medo, luxúria, e satisfação emanam deste primeiro estágio do cérebro. Por milhões de anos de evolução, camadas de raciocínio mais sofisticado foram sendo adicionadas a esta fundação - nossa capacidade intelectual para pensamento racional complexo que nos fez teoricamente mais inteligentes do que o resto do reino animal. Quando nós estamos descontrolados de raiva, significa que nosso cérebro réptil está anulando os componentes racionais do nosso cérebro. Se alguém diz que agiu com o coração em vez da cabeça. O que ele realmente quer dizer é que concedeu o controle às suas emoções primitivas (que têm origem no cérebro réptil), ao invés dos cálculos da parte racional do cérebro.
Enquanto as partes mais modernas e sofisticadas do cérebro conseguem fazer o complexo pensamento do dia-a-dia, ainda é a antiga parte réptil que nos governa. Políticos, pregadores, e homens que lidam com propaganda sabem disso, e sempre dirigem suas palavras para as nossas emoções, e não ao nosso intelecto, para comunicar a sua mensagem. A coisa assustadora sobre o cérebro réptil é que ele não tem nenhum conceito de bem ou mal. Ele simplesmente exige uma ação de algum tipo. Não tolerará ficar na inatividade. Se não puder achar uma saída para uma ação criativa, caminhará implacavelmente para uma ação destrutiva, e se nenhuma das alternativas for possível, então ele começa a buscar a autodestruição. Assim, a humanidade como um todo, bem como os indivíduos, oscilam entre a guerra e outros impulsos assassinos, e a edificação pacífica e a harmonia. Às vezes quando não há nenhuma saída perceptível para uma atividade construtiva, especialmente entre os jovens e os idosos, e uma forte consciência está bloqueando uma saída destrutiva, uma depressão severa tomará conta de quem estiver neste estado de inatividade, empurrando terrivelmente a vítima para o suicídio. Assim, a consciência pode manter uma pessoa pura e honesta. Contudo, sobre condições erradas pode também empurrar a pessoa para o limite.
(...)
Se o cérebro réptil é o forno de nossas acções, então a hormona masculina, a testosterona, é como gasolina nesse fogo. É por isso que durante os milênios o homem tem sido muito mais criativo e destrutivo do que as mulheres. (Me desculpem os grupos politicamente corretos) É claro que, como nós sabemos, os homens são fisicamente mais activos quando o nível de testosterona deles atinge o ápice aos vinte anos. Assim, com o cérebro réptil deles incendiado pela testosterona trabalhando a todo vapor e desejando acção ao final da adolescência, guerreiros, atletas e membros de gangues alcançam o auge de sua letalidade nesta fase da vida.
Agora o ponto chave deste exercício é que o cérebro réptil não está a ponto de ceder o seu domínio sobre a humanidade em alguns milhões de anos, mesmo se nós pudéssemos sobreviver sem ele, o que é provavelmente uma impossibilidade. Em todo caso, é importante que em todos os nossos assuntos políticos e sociais, legisladores, administradores, homens de negócio e líderes religiosos, e o público em geral, estejam completamente conscientes de como o que eles pretendem poderia afetar o cérebro réptil. Essas ações criarão bolsões involuntários onde a ação positiva será bloqueada, conduzindo assim a uma cadeia inteira de forças destrutivas sendo libertadas? Ou elas permitirão atividades que, mesmo talvez não idealmente adaptadas a todo interesse, pelo menos minimizarão o potencial destrutivo? Para saber a solução, a pessoa tem que primeiro entender o problema. O cérebro réptil sempre foi a maldição e a salvação da humanidade. Contudo, tem sido ignorado a um grande risco.
"Poderia ter sido um trovão, e se o fosse, teria sido perante o Deus dos trovões que Rop se ajoelhara, encolhido, em temência. Mas teve movimento próprio e quando o homem dentro do fato, que o protegia na caminhada solitária e cega, deixou o pavor escapar-se de si e o raciocínio regressar, compreendeu que se tratava de uma nave, muito provavelmente a que alberga o Honorável Comandante dos Guardiões de Deash, o seu peculiar perseguidor."
Rui Diniz: Olympus: A Profecia do Grande Espírito - excerto da Parte III